“Por um Cabo Verde de Todos” é um momento carregado de emoção e de simbolismo – Maritza Rosabal   
Tudo isto por duas razões, explica Maritza Rosabal, momentos depois de proceder ao lançamento da campanha de sensibilização para o respeito da diversidade cultural, no contexto migratório Cabo-verdiano: “pelo fato de ter iniciado o meu percurso profissional em Cabo Verde como estrangeira, portanto como imigrante e de estar aqui na vossa presença como uma cidadã cabo-verdiana com os mesmos direitos e deveres e ainda enquanto membro do governo. É caso para dizer, nesta história sou sujeito e objeto. A outra razão prende-se com o fato de estarmos num país onde podemos dizer que surge num contexto completamente migratório, seja forçado ou voluntário”.

Para a Ministra da Família e Inclusão Social, estas duas razões são suficientemente motivos para explicar “o que significa para mim estar hoje aqui convosco no lançamento desta campanha de sensibilização que tem como lema “por um cabo verde de todos”, visando, sobretudo, promover o respeito em contexto migratório e prevenir práticas discriminatórias tem por base a origem geográfica especialmente”.

Maritza Rosabal, considerou por isso, que esse evento espelha uma nova marca de politica de inclusão social do seu Ministério, sublinhando que, a par da promoção da diversidade cultural, espelhado nesta campanha que agora se inicia, o Ministério da Família e Inclusão social vai adotar uma abordagem transversal sobre a questão migratória em Cabo Verde.

“Esta é a marca das novas medidas politicas da inclusão social das famílias principalmente aquelas famílias de imigrantes que se encontram em situação de vulnerabilidade e dentro dela com grupos específicos nomeadamente as crianças, mulheres vitimas de tráficos e descriminação e pessoas vitimas de exploração no trabalho” ressalva a governante.

De acordo com Maritza Rosabal a ideia do Ministério da Família e Inclusão Social é melhorar, cada vez mais, os mecanismos de acolhimento e de integração daqueles que pretendem viver em Cabo Verde, no sentido de reforçar a capacidade de resposta da sociedade civil, das ONGS, mas também fazer com que o processo de integração seja muito interativo, passando pela formação e informação e garantir, por exemplo, a inclusão linguística e que sejam reconhecidos o quadro legal, respeitando sempre as normas de um convívio de boa missão.

A campanha de sensibilização «Por um Cabo Verde de Todos», como uma das ações dentro de uma estratégia de respeito pelas diferenças em contexto migratório e prevenir práticas discriminatórias foi realizada através daa Direção Geral da Imigração, em parceria com a comissão Nacional dos Direitos Humanos e Cidadania e Plataforma de Comunidades Africanas residentes em Cabo Verde. fonte:governocv, pub em 29-06-2017

          Guiné 61/74 - P17528: (De) Caras (89): O 1º cabo Alfredo Ferreira, o "Geada", da Murteira / Cadaval, o padeiro da CCAÇ 2382 (Buba, Aldeia Formosa, Mampatá, 1968/70)... Era um camarada divertido e generoso, que não negava um pão a ninguém. O pão de Buba tinha fama, até o gen Spínola chegou a levar pão para casa... Recorde-se entretanto uma efeméride: fez 49 anos, em 22 de junho, que a tabanca de Contabane ficou totalmente destruída num ataque do PAIGC (Manuel Traquina / José Man   

Foto nº 1 > O "Geada", o padeiro da CCAÇ 2382, o 1º cabo Alfredo Ferreira, à esquerda, com um "balaio"


 Foto nº 2 > Militar não identificado, no WC, com  um pedaço de tecido dos sacos de farinha 
 a servir de "saia"

Fotos (e legendas): ©  Manuel Traquina (2017). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné].


1. Mensagem de Manuel Traquina, com data de 25 do corrente:

Amigo Luís Graça, aí vão duas fotos. A foto individual [nº 2] com a "farda de trabalho" penso que seja o "Geada" (será?) (*). A outra  [foto nº 1] são alguns dos ajudantes de cozinha de Buba, de que não recordo os nomes.

Um abraço,
Traquina



2. Comentário do José Manuel Cancela, com data de 26:

Olá, amigo Traquina. A foto de um só [nº 2] não é o "Geada", nem estou a ver quem seja.

Mas na foto do trio [nº 1] ,o primeiro da esquerda, é realmente o "Geada"  (**),  o segundo é o Guimarães,  mais conhecido, entre nós, pelo "Periquito", e o terceiro é o Zé Henriques,que também pertencia ao meu pelotão, tal como os outros, mas infelizmente já falecido.......

Um abraço e um bj. para a tua Fátima...


3. Observações dos camaradas sobre o Alfredo Ferreira:

(i) Manuel Traquina, 22/6/2017

(...) Vou ver se tenho a foto de um padeiro de Buba, que calculo seja do "Geada"... Era um bom elemento, sempre bem disposto!

O pão de Buba era óptimo, mas anteriormente quando estivemos em Mampatá, aí tivemos que construir o forno, depois numa visita do General António Spínola. Ele e o seu ajudante de campo, o cap Bruno (se a memória não me falha) gostaram tanto do pão que pediram se havia para levar alguns para Bissau, e acho que não foi só uma vez.

O pão de Bissau creio que era à base de farinha de arroz, deixava muito a desejar...

Já agora recordo que hoje, dia 22 de junho, foi um dia que ficou na memória de muitos. Foi na noite deste dia do ano de 1968 que na aldeia de Contabane, próximo de Aldeia Formosa, dois pelotões da CCaç 2382 sofreram o ataque que reduziu a aldeia a cinzas, depois foi uma trovoada que tudo transformou em lama. A CCaç 2382 estava havia pouco mais de um mês na Guiné. Muitos ficaram apenas com a roupa que tinham vestida e a G3 na mão. (...) (***)

(ii) José Manuel Cancela, 25/6/2017

(...) Não te cheguei a responder, no último mail que te mandei, acerca do tecido dos sacos de farinha, que o Geada distribuía ás "beijudas" para confeccionarem tangas ou saiotes ... Como já deves ter adivinhado, era um modo de fazermos... acção psicossocial...

Como era a minha companhia que estava a tomar conta do quartel [de Buba], havia alguns postos, com uma certa relevância, nesta matéria, e não só o padeiro: o  dos géneros, as cantinas, as messes, e outros, que também tinham os favores das "beijudas".

No que respeita ao pão, o "Geada" era realmente um especialista, era a arte dele. E, coisa admirável, raramente recusava um pão, quando estava a sair do forno, a qualquer camarada.  (...)

(iii) José Manuel Cancela, 24/6/2017

(...) Se calhar o tempo acaba por trair a nossa memória. O meu camarada "Geada" nunca foi apontador de qualquer morteiro, não quero dizer que não o tivesse feito esporadicamente, mas a arma que lhe estava distribuída, quando saíamos do quartel, era uma G3 de fita, não me recordo do nome certo desta arma [HK 21].

O apontador do morteiro 60 era um camarada chamado Silva, que nos safou aquando do ataque à aldeia de Contabane, perto do Quebo, fez precisamente antes de ontem, Quarenta e Nove Anos!!! (...) (***)
_____________

Notas do editor:

(*) Vd. postes de:

15 de junho de 2017 > Guiné 61/74 - P17474: O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca ... é Grande (108): Na Lourinhã, fui encontrar o ex-1º cabo at inf Alfredo Ferreira, natural da Murteira, Cadaval, que foi o padeiro da CCAÇ 2382 (Buba, Aldeia Formosa, Mampatá, 1968/70)... e que depois da peluda se tornou um industrial de panificação de sucesso, com a sua empresa na Vermelha (Luís Graça)

22 de junho de 2017 > Guiné 61/74 - P17502: Memória dos lugares (360): Murteira, união das freguesias de Lamas e Cercal, concelho de Cadaval: monumento aos 61 ex-combatentes da guerra do ultramar (1954-1975): Cabo Verde (1), Angola (31), Índia (2), Timor (1) , Moçambique (12) e Guiné (14) (Jorge Narciso, ex-1.º Cabo Especialista MMA, Bissalanca, BA 12, 1968/69)

(**) Último poste da série > 29 de junho de 2017 >  Guiné 61/74 - P17522: (De) Caras (88): O fur mil inf Hércules Arcádio de Sousa Lobo, natural da ilha do Sal, Cabo Verde, foi gravemente ferido pelo primeiro fornilho acionado no CTIG, às 9h00 do dia 3 de julho de 1963, na estrada São João-Fulacunda, vindo a morrer no HMP, em Lisboa, no dia 16, devido às graves queimaduras. Eu era o comandante da coluna (António Manuel de Nazareth Rodrigues Abrantes, ex-alf mi inf, CCAÇ 423, São João e Tite, 1963/65)

(***) Vd. postes de:

19 de Agosto de 2008 > Guiné 63/74 - P3141: Venturas e Desventuras do Zé do Olho Vivo (2): O ataque de 22 de Junho de 1968 a Contabane

27 de maio de  2010 > Guiné 63/74 - P6479: Histórias de Carlos Nery, ex-Cap Mil da CCAÇ 2382 (2): Noite longa em Contabane

29 de maio de 2010 > Guiné 63/74 - P6489: As Nossas Queridas Enfermeiras Pára-quedistas (15): A minha homenagem à enfermeira pára-quedista Ivone Reis que ficou em Contabane a cuidar dos feridos graves (Carlos Nery)
          Guiné 61/74 - P17526: Notas de leitura (973): “a Presença Portuguesa na Guiné: História Política e Militar 1878-1926”, Caminhos Romanos, 2016 (Mário Beja Santos)   


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 28 de Junho de 2017:

Queridos amigos,
Não conheço na investigação da história da Guiné levantamento mais minucioso, ainda por cima para um período que não chega a 50 anos.
Um desastre militar em Bolor, no Norte da Guiné deixa os políticos de Lisboa siderados, dá-se a criação da província da Guiné Portuguesa, autónoma de Cabo Verde.
O ar do tempo é o da Conferência de Berlim, que se realizará anos depois: não há direitos históricos, quem quer ter colónias ocupa-as e administra-as. Assim se inicia numa atmosfera de turbulência, com levantamentos de diferentes etnias, a criação de uma capital em Bolama, surgem tensões graúdas com os franceses, os seus apetites não estão só no Casamansa, estão também no rio Grande.
Temos mais de 900 páginas para acompanhar as sagas ocorridas nesta sequência cronológica.

Um abraço do
Mário


A Presença Portuguesa na Guiné: História Política e Militar 1878-1926, 
Por Armando Tavares da Silva (1)

Beja Santos

Dentre os mais importantes trabalhos historiográficos referentes à Guiné, é da mais elementar justiça pedir a atenção de todos os interessados para uma investigação de grande fôlego: “a Presença Portuguesa na Guiné: História Política e Militar 1878-1926”, Caminhos Romanos, 2016.

Que o leitor se previna: são mais de 960 páginas, uma belíssima apresentação gráfica, poder-se-á mesmo adjetivar que é inexcedível, um bom acervo fotográfico e um conjunto de mapas que facilitam a leitura de tão avultado miolo. O investigador escolheu aquele período peculiar que vai das primícias da autonomização da Guiné face a Cabo Verde até à chegada da Ditadura Nacional, correspondente na colónia a uma fase que prometia arranque económico, num quadro de uma certa pacificação, em que a administração colonial se estava a disseminar por pontos importantes no território.

O autor dá explicações para o seu trabalho: a escassez de estudos, a pretensão de dar a conhecer as razões que levaram as autoridades a empreender um conjunto de operações do foro militar que se sucederam no território durante dezenas de anos. A base principal do trabalho reside na documentação existente no Arquivo Histórico Ultramarino relativo à Guiné. Pretende igualmente o autor vincar a existência de dois grupos antagónicos que disputavam a vida económica e administrativa da Guiné.

E é na interrogação final com que termina o texto que se pretende marcar a existência de tal “problema” e, para ele, atrair a atenção do leitor. É de facto no termo do seu livro, que depois de abordar uma paz que tinha durado uns escassos 30 anos, a que se seguiria a eclosão da guerrilha que culminou na independência do Estado da Guiné-Bissau, que o autor questiona: “Seria o ressuscitar do conflito de interesses e das velhas tensões que estiveram na base das questões de Bissau de 1891, 1894 e 1915?”. A seu tempo, se procurará contestar tal questionamento, tanto no que respeita a existência dos dois grupos antagónicos como na inexistência de qualquer relação entre a guerrilha e o que se passara em poderosos conflitos havidos em Bissau, muitas décadas antes.

No capítulo introdutório, a súmula apresentada é sugestiva, tocando em aspetos essenciais: continua a não haver precisão quanto à data da chegada dos portugueses ao território do que foi a colónia da Guiné e é hoje a Guiné-Bissau; facto é que os portugueses estabeleceram relações com os potentados indígenas e que a partir da segunda metade do século XVI a presença portuguesa era um facto, ali se comerciava em concorrência com franceses, ingleses e holandeses. Os ingleses tudo tentaram para estabelecer feitorias na Guiné, privilegiaram Bolama, a colónia falhou rotundamente, o clima vitimou-os, ensaiaram continuar em Bolama houve que recorrer à sentença arbitral do Presidente dos Estados Unidos, Ulysses Grant.

Seguiram-se os franceses, nas suas cobiças no Casamansa, virão a ter sucesso nas suas pretensões na Convenção Luso-Francesa que definirá os traços essenciais da Guiné Portuguesa. E a Conferência de Berlim gerou um novo paradigma político: Portugal deixaria de se limitar a uma presença periférica, teria de conseguir uma ocupação efetiva, ter uma administração presente na colónia, cuidar do bem-estar das populações, zelar pela economia do território, pelas exportações. É dentro desta sequência cronológica definida pelo autor que estamos em 1878-1879, há uma visita do Governador-geral de Cabo Verde, o Ministro Thomaz Ribeiro recomenda ao Governador um plano de administração e a toma de medidas “que possam levantar aquele ubérrimo país do abatimento, do quase esquecimento em que tem jazido”.

O Governador responde com relatório, descreve detalhadamente o estado geral das fortificações de Bissau, Cacheu, Geba, Bolama, Colónia e Buba, havia os pequenos redutos de defesa em Ziguinchor, Farim, Bolor e ainda outros pontos. Sugere-se um pessoal militar à volta de um batalhão de caçadores com a força de 400 praças e uma companhia de artilharia com 100 praças europeias; havia ainda a considerar o apoio para uma força militar naval, composta de uma pequena canhoneira a vapor e três lanchões a vapor. Em Bolor, no norte do território, tribos revoltadas tinham atacado e arrasado a população, havia incidentes no presídio de Geba e é neste contexto que ocorre em Dezembro 1878 o chamado desastre de Bolor, uma chacina que deixou os políticos de Lisboa em grande consternação, tomou-se a decisão de transformar a Guiné em província independente, o governo da província teria a sua sede na ilha de Bolama, transferiam-se de Cabo Verde para a Guiné um efetivo militar e o governo ficava autorizado a organizar uma bateria de artilharia para guarnecer as fortalezas da província da Guiné, bem como a adquirir alguns barcos de vapor.

O primeiro Governador da Guiné Portuguesa foi o Tenente-Coronel Agostinho Coelho, que toma posse em Bolama no início de Maio de 1879. É uma frase de organização do território em que a Guiné fica dividida em quatro concelhos administrados por oficiais militares, as sedes dos conselhos seriam Bolama, Bissau, Cacheu e Bolola; o concelho de Bolama compreendia a povoação denominada “Colónia”, na ilha de Orango e todos os estabelecimentos de qualquer caráter oficial que viessem a existir no arquipélago dos Bijagós; o concelho de Bissau compreendia a vila de S. José e o presídio de Geba; o concelho de Cacheu incluía a praça e os presídios de Farim e Ziguinchor e as povoações de Mata, Bolor e outras desta última dependência; o concelho de Bolola compreendia Santa Cruz de Buba e todos os mais pontos que viessem a ser ocupados no rio Grande, não se escondia haver muitos pontos ocupados e de domínio duvidoso ou mesmo não existente.

O autor reporta às forças navais no início deste primeiro governo da província da Guiné, o surgimento de problemas com forças nativas, as pretensões territoriais francesas à volta do rio Grande, a sublevação de tropas e trata, a questão da Guiné como depósito de degredados. Inicia-se a delimitação da Guiné e avançam-se medidas para tratados que permitam mais harmonia entre o colonizador e o colonizado. Enquanto decorre esta tentativa de organização do território e se procura responder às pressões francesas, encetam-se esforços para a pacificação do Forreá que culminará com um tratado de paz. Mas os problemas de pacificação estavam para durar, houve levantamento dos Beafadas de Jabadá, chegou-se a um compromisso.

Em 1881, Agostinho Coelho cede a governação a Pedro Ignácio de Gouveia.

(Continua)
____________

Nota do editor

Último poste da série de 26 de junho de 2017 > Guiné 61/74 - P17513: Notas de leitura (972): “A Colonização Portuguesa da Guiné 1880-1960”, por João Freire, 2016, edição da Comissão Cultural da Marinha (4) (Mário Beja Santos)
          Guiné 61/74 - P17522: (De) Caras (88): O fur mil inf Hércules Arcádio de Sousa Lobo, natural da ilha do Sal, Cabo Verde, foi gravemente ferido pelo primeiro fornilho acionado no CTIG, às 9h00 do dia 3 de julho de 1963, na estrada São João-Fulacunda, vindo a morrer no HMP, em Lisboa, no dia 16, devido às graves queimaduras. Eu era o comandante da coluna (António Manuel de Nazareth Rodrigues Abrantes, ex-alf mi inf, CCAÇ 423, São João e Tite, 1963/65)   

Guiné > Zona de Quínara > Tite > BCAÇ 237 (Tite,  julho de 1961/outubro de 1963) > CCAÇ 423 (São João e Tite, abril de 1963/  abril de 1965) > O estado em que ficou a GMC sinistrada devido ao rebentamento de um  fornilho na estrada entre Nova Sintra e Fulacunda, em 18 de julho de 1963, qual vitimou  o tenente mil inf Carlos Eduardo Afonso de Azevedo, natural de Angola. Pertencia à CCAÇ 423.

Quinze dias antes, a 3 de julho de 1963, tinha sido aciocinado, no mesmo troço, o primeiro fornilho da história da guerra na Guiné, de que uma das vítimas foi o fur mil inf Hércules Arcádio de Sousa Lobo, natural da ilha do Sal, Cabo Verde, também da CCAÇ 423.

A CCAÇ 423 foi mobilizada pelo RI 15, esteve em São João e Tite, entre abril de 1963 e abril de 1965. Comandante: cap inf Nuno Gonçalves Basto Machado. Esteva adida ao BCAÇ 237 (Tite, julho de 1961 / outubro de 1963)

Foto : Cortesia de; © Sol da Esteva  editor do blogue Acordar Sonhando (2011). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Canmaradas da Guiné]



1. Comentário (*)  do ex-alf mil António Abrantes, da CCAÇ 423  (São João e Tite, 19763/75):

Data: 27 de junho de 2017 às 23:12

Assunto: Luís Graça & Camaradas da Guiné: Guiné 63/74 - P9507: Em busca de... (184): Camaradas do Fur Mil Hércules de Sousa Lobo, natural da ilha do Sal, Cabo Verde, gravemente ferido pelo primeiro fornilho acionado no CTIG, em julho de 1963, na estrada São João-Fulacunda (Maria Luísa Sousa Lobo)

Enviado do meu iPad

Gostaria de poder entrar em contacto convosco mas não tenho conseguido e isto especialmente no que respeita à primeira mina/fornilho colocada na Guiné, mais concretamente em Bianga, a poucos kms de Fulacunda, na estrada S.João - Nova Sintra - Fulacunda. 

Infelizmente era eu, ex- alferes miliciano, António Manuel de Nazareth Rodrigues Abrantes, o comandante da força da CCAÇ 423, sediada em S. João, que, no regresso da deslocação a Fulacunda, sofreu este rebentamento, mais ao menos no mesmo local onde na véspera tinha sido emboscado debaixo de uma forte chuvada.

 O rebentamento ocorreu às 9h00 do dia 3 de julho de 1963, debaixo do depósito de uma GMC e vitimou vários militares do meu pelotão, entre eles o furriel miliciano inf Hércules Arcádio de Sousa Lobo, que viria a falecer cerca de 13 a 15 dias depois em Lisboa [, mais exatamente em 16 de julho de 1973], devido às graves queimaduras sofridas.  (**)

O relatório desta operação foi, como é óbvio, enviado para o Comando do Batalhão estacionado em Tite [BCAÇ 237]. Posteriormente e já vários anos depois enviei cópia para a Liga dos Combatentes da qual sou sócio. 

A propósito de Tite, a foto da GMC que dizem ser da primeira mina é tirada em Tite, é da segunda mina, a qual vitimou [, em 18 de julho de 1963]  o tenente mil inf Carlos Eduardo Afonso de Azevedo. Isto porque esta [GMC]  tinha capota de lona pela qual foi projectado o referido tenente que, contrariamente ao referido, não faleceu no local mas sim em Tite. (***)

A GMC da primeira mina [, 3 de julho de 1963,]  tinha capota rígida sobre a qual eu havia mandado instalar uma metralhadora Breda.. 

Um Grande Abraço a todos os camaradas,
António Abrantes
___________________

Notas do editor:


(...)  José Marcelino Martins disse...

Furriel Miliciano Atirador Hérculçes Arcádio de Sousa Lobo
:  Mobilizado no Regimento de Infantaria nº 15 - Tomar, para a Companhia de Caçadores nº 423. Solteiro, filho de Emídio Sousa Lobe e Cacilda Sousa Lobo, natural da freguesia de Nossa Senhora das Dores, concelho do Sal, em Cabo Verde. Faleceu no Hospital Militar Principal, em Lisboa, no dia 16 de Julho de 1963, vitima de ferimentos em combate, provocados pela explosão de um fornilho em 3 de Julho de 1963, na estrada Nova Sintra - Fulacunda. Foi inumado no cemitério do Alto de São João.

(CECA- 8º volume - livro 1 - página 31/3) (...)


Abreu dos Santos (senior) disse...

... ajudas de memória: (...) deflagração de um fornilho que causa às NT duas baixas mortais instantâneas (Soldados apontadores-de-metralhadora Alberto dos Santos Monteiro e José Isidro Marques), e cinco feridos graves pouco depois heli-evacuados para o HM241- Bissau, onde ainda naquele mesmo dia vem a falecer o 1º Cabo Ap Met António Augusto Esteves de Magalhães; os outros três feridos graves são aerotransportados para o HMP-Estrela, onde dois sucumbem aos graves ferimentos, em 16Jul63 o Furriel miliciano Atirador Hércules Arcádio de Sousa Lobo, e em 20Jul63 o Soldado Atirador Alpoím Pereira Rodrigues.

Na 5ª feira 18Jul1963, um pelotão daquela mesma subunidade, comandado pelo Tenente miliciano de infantaria Carlos Eduardo Afonso de Azevedo, quando em deslocação-auto entre Tite (sede do BCac237) e Nova Sintra, é alvo da deflagração de outro fornilho que causa às NT a morte instantânea do citado oficial, e do Soldado Ap Met José Rato Casaleiro, e ferimentos graves ao Soldado Ap Met Joaquim da Silva Bento Jorge, heli-evacuado para o HM241 onde vem a falecer decorridos onze dias. (..:) 



          Guiné 61/74 - P17520: (De) Caras (87): Maria Sofia Pomba Guerra (1907- c.1970), mais uma "desterrada política", tal como Fausto Teixeira, elogiada pelos históricos dirigentes do PAIGC   
1. O nome de Fausto Teixeira parece estar hoje esquecido (, r espero bem que não esteja proscrito ...), ao não contar da lista dos "antifascistas da resistência"... Pelo menos não aparece na lista das 600 personalidades que constam, como tal,  no respetivo blogue e na respetiva página do Facebook (" notas biográficas de cidadãs e cidadãos que lutaram contra o fascismo e o colonialismo").

Provavelmente falta-lhe um biógrafo ou um "advogado", mesmo que oficioso... Mas o mesmo acontece com outros dos seus companheiros de desventura:  de facto, também não contam dessa lista os nomes de Gabriel Pedro (1898-1972) (igualmente desterrado para a Guiné e depois para o Tarrafal, tal como o seu filho Edmundo Pedro) e de Manuel Viegas Carrascalão (1901-1977) (operário gráfico, anarcossindicalista, preso sob a acusação de bombismo e de pertencer,  tal como Fausto Teixeira e Gabriel Pedro, à "Legião Vermelha", acabando por ser desterrado para Timor em abril de 1927, no navio "Pêro de Alenquer", numa viagem que vai demorar  5 meses, com passagem por Cabo Verde, Guiné, onde desembarcam alguns deles e entram outros, e Moçambique onde é rendido o comandante do navio.). 

Admite-se que, no caso do Fausto Teixeira, a omissão do seu nome  seja  devida, pura e  simplesmente, ao facto de lhe terem perdido rasto, desde que, com 25 anos, foi desterrado para a Guiné, em 1925, não pelo "fascismo" da Ditadura Militar / Estado Novo mas pela I República. 

De qualquer modo, a Guiné e  Timor era dois dos piores sítios do nosso glorioso Império para onde o Estado mandava os desgraçados dos "desterrados políticos", sendo ali entregues à sua sorte. Para este inferno, que eram estas duas colónias, iam em geral os indivíduos de profissões manuais ou, no caso de militares, os soldados e os marinheiros. Até no exílio e deportação, todos eram iguais mas uns eram mais iguais do que outros.
.
[Foto acima: Maria Sofia Carrajola Pomba  Amaral da Guerra, cortesia do blogue "Silêncios e Memórias", editado por João Esteves]


2. O nome de Fausto Teixeira (ou Fausto da Silva Teixeira] aparece associado ao de Maria Sofia Carrajola Pomba [, Amaral da Guerra, por casamento], sobre a qual colhemos as seguintes informações, a partir dessa página do Facebook e outras fontes na Net:

(i) nasce a 18 de julho de 1906, em São Pedro, Elvas (, terra igualmente de um militante pioneira do feminismo, a médica Adelaide Cabete, 1867-1935);

(ii) licencia-se em Farmácia pela Universidade de Coimbra, no princípio dos anos 30 (no ano lectivo de 1926/27, está no 2º ano, segundo apurámos por conta própria);

(iii)  a partir de meados da década de 30, vai para Moçambique [deve ter sido em 1933:
vd.GUERRA, Maria Sofia Pomba - Dois anos em África / Maria Sofia Pomba Guerra. - : Ed. do Autor, 1935. - XIII, 206 p.]

(iv) em Lourenço Marques, publica alguns estudos sobre frutos silvestres e produtos exportáveis, é analista no Hospital Miguel Bombarda, lecciona na Escola Primária Correia da Silva, onde tem como aluno o poeta, jornalista e activista moçambicano Rui Nogar (1932-1993);

(iv) terá aderido ao PCP - Partido Comunista Português, em Lourenço Marques, por intermédio de um  ferroviário, o  Cassiano Carvalho Caldas [1915-c..2002/03, ], no final da década de 1930 ou princípios de 1940;

(v) mantém naquela cidade do Índico uma  militância activa, colabora nos jornais "Emancipador" e a "Itinerário", publicação editada entre 1941 e 1955, participa entre 1947 e 1948, na construção de uma estrutura comunista local [Fonte: José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal, vol. 3] e desenvolve, juntamente com Noémia de Sousa, actividades no âmbito do Movimento dos Jovens Democratas Moçambicanos, versão local do MUDJ da metrópole, integrando a direcção.

(vi) em 1949, torna-se na primeira mulher branca a ser presa e deportada para a metrópole: apresentada na PIDE em 23 de novembro de 1949, fica detida em Caxias até 4 de julho de 1950; será então libertada por ordem do Tribunal Plenário de Lisboa, por ter sido absolvida.

(vii) parte a seguir  para Cabo Verde, onde se junta ao marido, médico,  colega de Coimbra [ Platão Zorai do Amaral Guerra] e dali para a Guiné, onde vem a ser proprietária da Farmácia Lisboa;  ensina inglês no Liceu de Bissau (, acabado de fundar) [não fica claro se vem para a Guiné como "deportada" ou se de livre vontade...];

(viii) em Bissau, vai procurar reatar a sua actividade política, juntamente com o empresário Fausto Teixeira e o médico Gumercindo de Oliveira Correia: segundo Pacheco Pereira [Álvaro Cunhal, vol. 3], Sofia Pomba Guerra era vigiada pela PIDE (, instalada em Bissau a partir de 1957), que sabia que a farmacêutica recebia e fazia circular revistas comunistas francesas e panfletos portugueses, procurando mesmo organizar células comunistas no seio da população trabalhadora urbana (incluindo o incipiente operariado);

(ix) o seu apoio, ao embrionário nacionalismo independentista, é reconhecido pelos históricos dirigentes do PAIGC  que não poupam elogios ao seu papel na luta anticolonialista, nomeadamente no auxílio à organização clandestina de reuniões, na prestação de informações relevantes sobre prisões iminentes, como a de Carlos Correia, e na preparação de fugas, como a de Luís Cabral (, auxiliado também por Fausto Teixeira);

(x) está associada, em 1958, à fundação do Movimento de Libertação da Guiné (MLG) (, mais moderado que o PAIGC, defendendo uma solução de tipo federalista entre a Guiné e Portugal);

(xi) na sua farmácia trabalham destacados futuros combatentes do PAIGC como Epifânio Souto Amado e Osvaldo Vieira (este, um dos principais combatentes do PAIGC, morto em 1974, mas igualmente suspeito de envolvimento no complô contra Amílcar Cabral que levaria ao seu assassinato em 20/1/1973):

(xii) Amílcar Cabral [Bafatá, 12/9/1924-Conacri, 20/01/1973], com quem Sofia convive na década de 50, no discurso pronunciado num Seminário de Quadros do PAIGC, efectuado entre 19 e 24 de novembro de 1969, refere-se à contribuição de dois brancos [Fausto Ferreira e Sofia Pomba Guerra]  na fuga de Luís Cabral da capital guineense, afirmando explicitamente que “uma pessoa que teve influência no trabalho do nosso Partido em Bissau, foi uma portuguesa", e acrescentando: "só quem não está no Partido é que não sabe isso. Ao Osvaldo, a primeira pessoa que lhe ensinou coisas para a luta, foi ela, não fui eu. Eu não conhecia o Osvaldo” [Amílcar Cabral, Alguns Princípios do Partido, pp. 21-22];

(xii) mais tarde, Luís Cabral, nas suas memórias, a Crónica de Libertação [1984], evoca os contactos que manteve com esta “deportada para a Guiné", com a ficha na PIDE e a indicação de se tratar de "um elemento altamente perigoso”:  e acrescenta:  “embora vigiada pela polícia política, cujo chefe veio morar mesmo em frente da sua casa, retomou na primeira oportunidade as suas actividades políticas”;

(xiii) relaciona-se com Amílcar Cabral, Aristides Pereira, Fernando Fortes, Luís Cabral, a quem dá lições de Inglês do 7.º ano do liceu, e muitos outros;  “apesar da posterior separação da actividade anticolonialista do movimento geral antifascista, a dr.ª Sofia Pomba Guerra continuou, como no passado, a ser a amiga e conselheira de cada um de nós” [idem]; foi ela quem apresentou Aristides Pereira a Amílcar Cabral quando este chega à Guiné no início dos anos 50;

(xiv) o rótulo de "desterrada política antifascista e comunista" (sic) acompanha-a por todos os locais por onde passa  mas isso nunca a impedirá de intervir politicamente e manter-se fiel às suas ideias;

(xv) morre sem chegar a ver a  independência, da Guiné-Bissau,  em data que não sabemos precisar, talvez no início da década de 70;

(xvi)  muito mais tarde, Luís Cabral terá reencontrado em Portugal o marido, o dr. Guerra, “que parecia estar sempre muito distante das actividades da esposa, [mas] era um grande patriota e democrata português que encorajava e apoiava essa actividade” [idem], com a filha mais nova Tafia;

(xvii) é autora de várias publicações  de natureza económica e científica, em Moçambique, outras: “Fruta de Moçambique” (1936), “Alguns frutos silvestres de Moçambique” (1938), “Alguns produtos exportáveis de Moçambique e os seus mercados externos” (1939);

(xviii) colaborou ainda  com o Centro de Estudos Culturais da Guiné Portuguesa:  vd.  GUERRA, Maria Sofia Pomba - Amendoim e palmeira do azeite : pilares económicos da Guiné portuguesa / Maria Sofia Pomba Guerra. In: Boletim cultural da Guiné portuguesa. - Vol. VII, nº25 (1952), p.9-83.
_____________

Fonte: Adapt.com a devida vénia, do blogue "Silêncios e Memórias", editado por  João Esteves > 12 de junho de 2015 > [0998.] Maria Sofia Carrajola Pomba Amaral da Guerra [I]

Vd. também a nota biográfica da autoria de historiador João Esteves com colaboração de Helena Pato, sendo a fotografia,  acima publicada, enviada ao João Esteves por uma das netas da biografada, Maria Leonor Guerra Rodrigues Eisman > Página do Facebook Antifascistas da Resistência.
________________

Nota do editor:

Último poste da série > 26 de junho de 2017 > Guiné 61/74 - P17512: (De) Caras (86): Francisco Augusto Regalla (1871-1937), médico militar: a história de uma família ou de um clã (Juvenal Amado / Manuel Coelho / Armando Tavares da Silva / Patrício Ribeiro / Ricardo Regalla Dias-Pinto)
          Guiné 61/74 - P17518: Antologia (76): "O Correio durante a guerra colonial", por José Aparício (cor inf ref, ex-cmdt da CART 1790, Madina do Boé, 1967/69)... Homenagem ao SPM - Serviço Postal Militar, criado em 1961 e extinto em 1981.   



Um aerograma expedido pelo nosso camarada Silvério Dias, na altura 2º srgt art, CART 1802, Nova Sintra, 1967/69, SPM 4618 [e depois 1º Srg Art, locutor do PFA, Bissau QG/CTIG, 1969/74], para a esposa, a residir em Carnide, Lisboa.

Os indicativos postais tinham 4 dígitos. No caso da Guiné, terminava sempre em 8 (oito).


Foto: © Silvério Dias (2014). Todos os direitos reservados [Edição e legendagem: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]


1.  Em agosto de 1961, foi aprovado o celebre "aerograma", considerado um impresso-carta, isento de porte e de sobretaxa aérea, e que era constituído por 1 folha de papel com o peso máximo de 3 gramas, dobrável em 2 ou 4 partes, mas de forma que as suas dimensões depois da dobragem não excedessem os limites máximos de 150 x 105 mms, e mínimos de 100x70 mms. Dele apenas podia constar o nome, posto, e número e o indicativo de SPM atribuído. 

Na Guiné, o aerograma era carinhosamente conhecido como "bate-estradas" ou "corta-capim".

No final da guerra, o Movimento Nacional Feminino, criado também em 1961, tal como o SPM, estava a imprimir e distribuir 32 milhões de aerogramas por ano. Durante os anos de guerra a expedição média diária foi de 10 toneladas de correio (!!!) para um total transportado de 21 mil toneladas (incluindo aerogramas, cartas, encomendas postais, valores declarados...).

 O SPM terá sido um dos serviços militares que melhor funcionou durante toda a guerra colonial... 

Achamos oportuno reproduzir aqui, nesta série antológica, um texto da autoria do cor inf ref José Aparício, de resto nosso camarada na Guiné, na qualidade de comandante operacional da CCAÇ 1790, a subunidade que retirou de Madina do Boé em 6/2/1969 e que, na travesssia do rio Corubal, em Cheche, perdeu 25 dos seus homens (Op Mabecos Bravios).

 José Aparício foi cmdt da PSP de Lisboa, a seguir ao 25 de Abril.


2.  O Correio durante a Guerra Colonial 

 por José Aparício  [cor inf ref, ex-cmdt CCAÇ 1790, Madina do Boé, 1967/69]

 [com a devida vénia ao portal Guerra Colonial 1961-74, da A25A - Associação 25 de Abril];  revisão e  fixação de texto: LG]


Com a deslocação para África de grandes efectivos militares a partir de 1961, as Forças Armadas Portuguesas foram confrontadas com a necessidade óbvia de fazer chegar "O Correio" a todos os locais onde estivessem estacionadas unidades militares. Naturalmente, a grande maioria das forças do exército encontrava-se dispersa no mato em grandes áreas, onde não havia estações dos correios normais, muitas vezes em locais isolados e inóspitos, alguns de muito difícil acesso.

 Do antecedente o Exército Português tinha a experiência vivida na Flandres durante a 1ª Grande Guerra, quando foi criado, aprovado, e posto em execução o "Regulamento do Serviço Postal do Corpo Expedicionário Português - CEP" que serviu as tropas portuguesas em França em 1917 e 1918.

No final dos anos 50 início da década de 60, houve necessidade de tornar operacional a Chefia do Serviço Postal da Divisão quando o Exército constituiu e tornou operacional a divisão "Nuno Álvares" integrada no SHAPE. O activar deste serviço nas grandes manobras que então ocorriam durante todo o mês de Setembro em Santa Margarida, e que envolviam cerca de 10,000 militares, aconteceu nas manobras de 1960.

Para exercer as funções de chefia desse serviço postal, o Estado Maior do Exército requisitou aos serviços dos Correios um seu funcionário qualificado que graduou em Capitão, e que desempenhou com toda a eficiência a sua missão. Terminadas as manobras este quadro dos CTT regressou à sua anterior situação.

 Quando em 23 de Junho de 1961 foi decidido criar um serviço de correios militar, o general Câmara Pina, Chefe do Estado Maior do Exército [CEME], requisitou de novo aos CTT o mesmo funcionário a quem, depois de graduar de novo em capitão, encarregou expressamente de organizar e pôr em funcionamento um Serviço Postal Militar no Ultramar. Nasceu assim o Serviço Postal Militar (SPM) tendo sido o seu primeiro responsável e Chefe do Serviço o capitão miliciano graduado Ernesto Lourenço Dias Tapadas, que até ao fim desenvolveu um trabalho notabilíssimo.

 Aproveitando a experiência adquirida pelo Exército português na 1ª Grande Guerra, adaptou o que achou por conveniente, percebeu rapidamente todo a problemática envolvente, e estabeleceu o seu plano de acção eliminando com muita habilidade e diplomacia todas as dificuldades que foram surgindo com os 2 colossos monopolistas, que eram os CTT Continentais e os CTTU do Ultramar, e também com os serviços de Alfândega metropolitanos e ultramarinos.

 A definição dos códigos de endereços foi a tarefa imediata a que a Chefia do SPM se dedicou e que se tornou determinante para o lançamento do serviço. Esses códigos eram constituídos por 4 dígitos, dos quais os primeiros 3 definiam a unidade militar, e o ultimo a província ultramarina. Assim, inicialmente o digito 1 correspondia à Índia, o 2 a S Tomé, o 3 a Macau, o 4 a Moçambique, o 5 a Timor, o 6 a Angola, o 7 a Cabo Verde, o 8 à Guiné, e o 9 à Metrópole.

 Devido ao cada vez maior número de unidades em Africa, o critério inicial teve de ser rapidamente alterado, e a atribuição dos IP (indicativos postais) passou a ser feita, pelo Estado Maior do Exército [EME] para as unidades mobilizadas no continente, e pelos respectivos Comandantes Militares nos diferentes territórios para as unidades ali organizadas, mantendo-se sempre o ultimo digito definidor do território de destino.

 Um problema entretanto surgido foi com os navios da Armada que quando saíam das suas localizações iniciais, e navegavam para outros territórios, e de e para a metrópole, recebiam a correspondência com atraso. Para resolver o problema, o 4º dígito 1, que inicialmente dizia respeito a Índia, passou a ser atribuído aos navios da Armada, em substituição dos dígitos recebidos inicialmente conforme os locais onde se encontravam Após algum tempo, a atribuição de todos os IP foi atribuída a Chefia do SPM.

Entretanto em Agosto de 1961, depois de difíceis e complicadas reuniões entre o Secretariado Geral da Defesa Nacional , a Administração Geral dos Correios, Telégrafos e Telefones (CTT) e os Correios Telégrafos e Telefones do Ultramar (CTTU), foi aprovado o celebre "aerograma", considerado um impresso-carta, isento de porte e de sobretaxa aérea, e que era constituído por 1 folha de papel com o peso máximo de 3 gramas, dobrável em 2 ou 4 partes, mas de forma que as suas dimensões depois da dobragem não excedessem os limites máximos de 150 x 105 mms, e mínimos de 100 x 70 mms.

 As regras estabelecidas para o endereço a colocar em toda a correspondência a enviar para as unidades expedicionárias obrigavam a que dele apenas constasse o nome, posto, e número e o indicativo de SPM atribuído.

A organização geral do SPM consistia numa Chefia em Lisboa, pelo menos uma Estação Postal Principal em cada território, e dentro destes tantas Estações Postais Secundárias quantas as que se revelaram necessárias face ao respectivo movimento postal, e ao número de PMC (Postos Militares de Correio), cada um destes apoiando até 2500 homens.

No fim da cadeia, havia em cada unidade um Encarregado da Delegação Postal da Unidade (EDPU) normalmente o(s) cabo(s) escriturário(s) da(s) unidade(s), que recebiam formação específica para essas funções.

 Em 21 de Julho de 1961 entrou em funcionamento em Luanda a Estação Postal Militar Principal nº 6, menos de um mês depois da criação do SPM! Quando se iniciaram as hostilidades na Guiné e em Moçambique já ali se encontrava completamente operacional o SPM.

 O SPM foi um serviço totalmente constituído por milicianos, nele tendo servido 202 oficiais e 504 sargentos. O seu quadro foi constituído inicialmente apenas por funcionários dos CTT e CTTU, graduados em oficiais e sargentos conforme a sua posição hierárquica nos seus serviços. A partir de 1966 o recrutamento passou a fazer-se entre oficiais e sargentos milicianos da metrópole a quem era dado um curso específico no Centro de Instrução do SPM no Forte do Bom Sucesso em Lisboa.

 O serviço prestado pelo SPM foi notável. Muito para além dos números impressionantes de milhões de aerogramas, cartas, encomendas, vales do correio e valores declarados, por eles tratados e enviados; durante os anos de guerra a expedição média diária foi de 10 toneladas de correio (!!!) para um total transportado de 21 mil toneladas. É que nunca falhou, mesmo nos locais mais perigosos, difíceis e isolados, e os prazos médios entre a expedição e a recepção eram mínimos.

 Só quem ali viveu esses tempos pode testemunhar o alvoroço e a alegria da chegada do correio, o conforto e ajuda que todos sentíamos pelas noticias da família e dos amigos.

 O SPM foi extinto em 10 de Julho de 1981, cessando toda a sua actividade em 31 de Dezembro de 1981. Com a discrição com que iniciaram os seus trabalhos, assim os terminaram, como se nada de especial tivessem feito, naturalmente sem reconhecimento público assinalável. O SPM que escolheu como divisa do seu guião "A vida por uma mensagem", bem a honrou até ao fim.

 Ao Capitão Miliciano Ernesto Tapadas, e a todos os que integraram o SPM durante toda a sua existência, é devida uma enorme gratidão por milhões de portugueses; por todos os que, de 1961 a 1975, serviram na Índia, em África, em Macau e em Timor, e também por todas as suas famílias que em Portugal mitigavam as saudades e as suas angústias com as noticias dos seus filhos tão longe. Os que estiveram na guerra nunca os esquecem!
 _______

 Nota do autor:

 A informação relevante acima descrita foi retirada de: BARREIROS, Eduardo ; BARREIROS, Luís - História do serviço postal militar. [Lisboa] : E. Barreiros, D.L. 2004. 460 p. : il. ; 30 cm. Ed. bilingue em português e inglês. Bibliografia, p. 458-460. ISBN 972-9119-65-1

 _______

 Nota do editor:

 Último poste da série > 5 de novembro de 2011 > Guiné 63/74 - P9000: Antologia (75): Tarrafo, crónica de guerra, de Armor Pires Mota, 1ª ed, 1965 (8): Ilha do Como, 15 de Março de 1964: E Deus desceu à guerra para a paz (Último episódio)...

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          W2M reúne a más de 700 agentes de viajes   

World2Meet ha reunido a más de 700 agentes de viajes para presentar el nuevo folleto conjunto entre W2M PRO e Iberostar Hoteles. Las presentaciones han sido seis ciudades.


En concreto, los eventos han tenido lugar en Las Palmas, Tenerife, Madrid, Sevilla, Bilbao y Valencia. El nuevo folleto es una actualización de la oferta hotelera de Iberostar en destinos de España, Mediterráneo, Hungría, Bulgaria, Caribe, Brasil y Cabo Verde, incluyendo nuevas incorporaciones y los hoteles que han sido recientemente reformados.

Fundada en 2008 como NT incoming y New Travelers, W2M World2Meet es 100% propiedad del grupo Ibeerostar. W2M es un proveedor global de servicios que ofrece alojamiento, traslados, excursiones, circuitos y servicios de handling. Sus principales clientes son turoperadores, OTA, bancos de camas y agencias de viajes.


          Daily Weather Briefing for Sunday, July 2, 2017   



LOCAL NEWS

Passing thunderstorms knocked out power to about 200 Duke Energy customers in Macon County last night. Service was restored around midnight to most of them.

After the storms passed residents of Franklin observed a rainbow as the sun peaked out of the clouds before setting. Here is a video taken by Exploring Appalachia.



Many others also saw the rainbow and posted their photos on Macon Media's Facebook weather page. [LINK]


LOCAL OUTLOOK

High pressure centered over the western Atlantic and a broad upper-level trough will remain over the eastern part of the nation for a few more days. A weak cold front will linger over our region early this week, helping to generate showers and storms. Another upper-level disturbance will approach our area later in the week, further enhancing the coverage of showers and storms at that time.

WEATHER SPONSOR


Adams Products, a Division of Oldcastle is underwriting the daily weather briefing and public safety updates for the month.  They have all your masonry products (block, mortars, tools), plus feature Belgrade Pavers and Sakrete Products.  Open 7:30 AM to 4:00 PM, M-F, located at 895 Hickory Knoll Road, Franklin, NC.  

Visit their Facebook page at: https://www.facebook.com/Adams.Oldcastle.Franklin.NC/

Their phone number is 828.524.8545, all are welcome, let them help you with your next project.  


Weather Almanac for July 2nd (1872-2016)

Record weather events for this date in Macon County

Highest Temperature 99°F at the Coweeta Experimental Station in 2012
Lowest Temperature 40°F at the Coweeta Experimental Station in 2008
Greatest Rainfall 3.00 inches in Franklin in 2003

Record weather events for July in Macon County

Highest Temperature 101°F in Franklin in 1952
Lowest Temperature 34°F in Highlands in 1911
Greatest Rainfall 21.15 inches in Highlands in 1879


THREE DAY OUTLOOK




TODAY

Patchy fog in the morning. Partly sunny with increasing clouds. Calm winds early, then from the northwest in the afternoon. Highs will be in the mid-80s. 40% chance of showers and thunderstorms with rainfall amounts between a tenth and a quarter of an inch expected. Locations that see thunderstorms will receive more. Rain chances will increase during the day with the greatest chance afternoon and be peaking around 5 pm.

TONIGHT

Mostly cloudy with lows in the mid-60s and calm winds. 40% chance of showers and thunderstorms with rainfall amounts between a tenth and a quarter of an inch expected. Locations that see thunderstorms will receive more.



MONDAY

Partly sunny with highs in the mid-80s and calm winds. 50% chance of showers and thunderstorms, mainly after 10 am.

MONDAY NIGHT

Mostly cloudy with lows near the mid-60s and calm winds.



INDEPENDENCE DAY

Partly sunny with highs in the mid-80s. 50% chance of showers and thunderstorms.

INDEPENDENCE DAY NIGHT

Mostly cloudy with lows in the mid-60s.


HAZARDS

No hazardous weather expected.

As always, you can check to see what advisories, watches, and warnings are in effect for Macon County by visiting http://is.gd/MACONWARN



TROPICAL WEATHER OUTLOOK

Tropical Weather Outlook
NWS National Hurricane Center Miami FL
200 AM EDT Sun Jul 2 2017

For the North Atlantic...Caribbean Sea and the Gulf of Mexico:

1. A tropical wave located about 550 miles west-southwest of the Cabo Verde Islands is producing a large area of cloudiness and showers. Environmental conditions are expected to be conducive for some gradual development of this system during the next several days while it moves generally westward at about 10 mph.

* Formation chance through 48 hours...low...10 percent.
* Formation chance through 5 days...medium...40 percent.


MACON CALENDAR

If you have an event you wish to be added to this calendar, please send the information, along with a flyer in pdf format or a high-quality photo, to editor@maconmedia.com
There is no charge for civic, educational or non-profit groups, except for groups or events that receive funding from the TDA, TDC, and EDC, where full rates apply.



National Alliance on Mental Illness
Appalachian South

Meets each Thursday at 7pm
The First Methodist Church Outreach Center
at the intersection of Harrison Ave. and West Main Street
(directly across from Lazy Hiker Brewery)

Come join our weekly support group for anyone suffering from mental illness and their family or friends. This includes Depression, Bipolar,8chizophrenia, PTSD, Substance Abuse, Etc.

Here you will find:
— others living with mental health challenges YOU ARE NOT ALONE
- learn coping skills and ?find hope in shared experience
- help learning how to break down stigma and guilt surrounding mental health
- how to live life with the expectation of a better a better future

Kay (706)970-9987 Denise (828)347-5000)

SYRINGE EXCHANGE PROGRAM

On January 1, 2017, the Syringe Exchange Program of Franklin began operating a comprehensive harm reduction program to address the opioid epidemic that is impacting western NC. Opioid overdose reversal kits including naloxone are available free of charge. If you have any questions about our services or if you know someone interested in volunteering, please contact Stephanie Almeida at 828-475-1920.



Astronomy

Twilight Begins: 5:53 am
Sunrise: 6:23 am
Sunset 8:51 pm
Twilight Ends: 9:21 pm


Moon Phase: Waxing Gibbous with 63% of the Moon's visible disk illuminated.

Moonset 2:13 a.m
Moonrise 3:13 p.m.



The Naval Observatory website is down, so here is a graphic from Moon Giant.


Evening Events and Planets

Chart shows sky at 10:30 pm tonight




Morning Events and Planets

Chart shows sky at 4 am tomorrow morning



Sky Guides for this week

Sky and Telescope Magazine 
Astronomy Magazine


Earth Sky has an article on the eclipses of 2017. [LINK]

Heavens Above has an Android App that will assist you in observing the sky and even has a satellite tracker that will let you know when the International Space Station and dozens of other satellites are overhead. [LINK]

Stellarium is also an app that will assist you in observing the sky. It is available in both Android [LINK] and iOS versions. [LINK]

CROWD FUNDING OR DAY SPONSORSHIP OPPORTUNITIES

If you receive value from what Macon Media provides to the community, please consider becoming a supporter and contribute at least a dollar a month.

If you have a business or event you are interested in sponsorship opportunities or underwriting coverage, send an email to editor@MaconMedia.com for more information. Serious inquiries only.

Thank You to the people who have been sending in donations and those businesses who are underwriting coverage of news and events. You have kept Macon Media online. You have made it possible for Macon Media to begin purchasing state of the art equipment and begin work on building a real website with features not employed by any local news outlets.

You can find out more information on how to do that and some of what I plan to accomplish if I reach certain levels of funding at https://www.patreon.com/MaconMedia


Published at 4:48 am on July 2, 2017

#WNCscan #MaconWx #MaconSafety

Data and information sources: Sources (except where otherwise credited): heavens-above.com, Ian Webster's Github, National Centers for Environmental Prediction, The National Weather Service, National Oceanic Atmospheric Administration, Penn State University Electronic Wall Map, The State Climate Office of North Carolina, Storm Prediction Center, U.S. Naval Observatory, and the Weather Prediction Center. 


          Cabo Verde: Economia cresceu 3,6 por cento no primeiro trimestre   
A economia cabo-verdiana cresceu 3,6% no primeiro trimestre deste ano, menos que os 4,7% do trimestre homólogo e dos 3,8% do último trimestre de 2016, segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INECV). Segundo o INECV, a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2017 ficou a dever-se ao comportamento […]
          Cabo Verde: Banco Mundial aprova reforço de 23 ME para reforma dos transportes   
O Banco Mundial aprovou um reforço de 23 milhões de euros ao financiamento do projeto de reforma do setor dos transportes em Cabo Verde, iniciado em 2013, e alargou para 2020 a data prevista de conclusão. O crédito adicional prevê uma verba de cerca de 15 milhões de euros para a reabilitação e manutenção de […]
          El Narco ABRE nueva RUTA desde Sudamérica a Europa Vía Africa como "Ayuda humanitaria"!!   

El médico argentino Gabriel Zilli, especialista en tratamiento para atenuar el dolor en los enfermos de cáncer, estaba nervioso. Temblaba. A su lado, en su casa en el barrio de Arroyito de Rosario, una ciudad de un millón 200 mil habitantes ubicada a 300 kilómetros de Buenos Aires, Argentina, el portugués Fernando Martins Frutuoso y el colombiano Wilmar Yuriano Valencia Estrada, del Cártel de los Urabeños, cocinaban en una olla grande arroz.


El oncólogo estaba intranquilo porque era su debut como narcotraficante. Sus compañeros colombianos practicaban en su casa un sofisticado método para que la cocaína quedara adherida a cada grano de arroz.

Esta organización de narcotraficantes colombianos, argentinos, ecuatorianos y portugueses, liderada por los hermanos Erman y Williams Triana Peña tenía previsto enviar a Guinea-Bissau, África, a través de la empresa Euro Export SRL, un cargamento de 46 toneladas de arroz. La carga iba a llegar a ese pequeño país de 1.5 millones de personas a través del programa “Hambre Cero”, de la Organización de Naciones Unidas (ONU).

El cargamento fue descubierto en septiembre de 2015 por la Gendarmería argentina en el depósito fiscal Binder SRL, en el oeste de Rosario. En la investigación que llevaron adelante el juez federal Sergio Torres y el jefe la Procuraduría de Narcotráfico (PROCUNAR), Diego Iglesias —en la que hay 72 imputados—, se descubrió que esta organización trasnacional creó 30 empresas en Argentina para “lavar” 5 millones 337 mil dólares.

El ex secretario de Justicia argentino Guillermo Heisinger era uno de los principales miembros de esta organización para blanquear el dinero en compañías de distintos rubros: agropecuarias, financieras y servicios fúnebres, como un crematorio de cadáveres ubicado a 20 kilómetros de donde se cocina el arroz con cocaína.

África es una nueva ruta del narcotráfico desde América Latina que empieza a preocupar. Los intermediarios en ese continente que se dedican a introducir la droga en Europa pertenecen a organizaciones criminales enquistadas en los gobiernos, con nexos directos con el terrorismo y el tráfico de armas.

La ministra de Seguridad argentina, Patricia Bullrich, señaló que este país es un mercado atractivo para los traficantes y que parte de la exportación local de cocaína “financia” a “grupos terroristas” en África. Bullrich explicó que la cocaína se triangula por África para llegar a Europa. “Servicios de inteligencia de otras naciones nos confirmaron que se les paga ‘peaje’ a grupos terroristas para hacer las operaciones”, declaró.
Según un informe de la Comunidad de Policías de América (Ameripol), por la ruta africana pasa 30% del total de la cocaína que tiene como destino final a Europa. África se transformó durante los últimos cinco años en un punto clave en el mapa del narcotráfico mundial. Y para las organizaciones criminales de América Latina es una ruta alternativa cada vez más utilizada para llegar a Europa, donde los controles se incrementaron.

Pioneros. La Oficina de Naciones Unidas contra la Droga y el Delito (UNODC, por sus siglas en inglés) activó las alarmas y pidió que se intensifiquen “los esfuerzos para erradicar el tráfico de drogas y la delincuencia organizada en África occidental, base central para el tráfico de cocaína desde América Latina hacia Europa”.

Los principales cárteles de droga mexicanos fueron los primeros que incursionaron en la ruta africana. Los Zetas, el Cártel de Sinaloa y Jalisco Nueva Generación tejieron puentes con ese continente con la ayuda de la mafia italiana Ndrangheta desde hace más de siete años.

Samuel González Ruiz, ex director de la Unidad Especializada de Delincuencia Organizada de la Procuración mexicana, señaló que “desde 2010 el Cártel de Sinaloa empezó a tener presencia en África”.

El cártel liderado por Joaquín Archivaldo Guzmán Loera, alias El Chapo, extraditado a Estados Unidos en enero pasado, usa la ruta de Guinea Bissau para introducir la droga en Europa. En esa región operan tres facciones del Cártel de Sinaloa, una de ellas liderada por Damaso López Serrano, alias Mini Lic.

Los cárteles colombianos también tienen aceitados nexos con el continente africano. Las autoridades de ese país calculan que unas 130 toneladas de cocaína —la tercera parte de lo que se “exporta” desde Colombia— terminan en puertos africanos antes de ser diseminados por Europa. Esa droga sale generalmente por el puerto de Santos, Brasil.

Alianzas. En Togo y Guinea-Bissau hay varios colombianos que fueron capturados que llevaban cargamentos de droga en alianzas con redes venezolanas y brasileñas. Las organizaciones brasileñas como la Familia del Norte (FDN) y el Primer Comando de la Capital (PCC) trabajan con reductos de las desmovilizadas Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia (FARC), con el poderoso Clan del Golfo y con la banda criminal los Caqueteños que opera en el sur de Colombia.


Según fuentes de la Dirección Central de Policía Judicial e Inteligencia (DIJIN), Los Caqueteños controlan con la FDN el tráfico de droga por toda la frontera terrestre y fluvial entre Brasil, Perú y Colombia.

Agentes federales de Estados Unidos aseguraron que la droga que ingresa a Brasil termina en Europa, vía Surinam y África. Varios de los cabecillas de las bandas brasileñas asesinados en las masacres de las cárceles en enero pasado se mataron por el control de esas rutas con los narcos colombianos.

En 2013, los colombianos Rafael Antonio Garavito García y Gustavo Pérez García, fueron capturados por formar parte de una red transnacional aliada con las FARC que llevaba cocaína hacia Guinea-Bissau y traía armas para el grupo guerrillero, según informaron agentes de la DEA.

En el caso de Venezuela, las autoridades estadounidenses avanzan en varias acusaciones que probarían que funcionarios y militares de ese país facilitan el envío de cocaína colombiana rumbo a África y a Europa. La droga sale de la zona del Catatumbo, en el norte de ese país, cuyos cultivos se han duplicado en los últimos cuatro años.

Debido a la amplitud y porosidad de la frontera entre Colombia y Venezuela, se calcula que hay más de 25 pasos habilitados para mover cocaína rumbo a África y a Europa. Casi todas las rutas del narco parten de del sur de Bolívar, Cesar, La Guajira, Arauca y Vichada. Los destinos son el estado de Apure, el Zulia, la península de Paraguaná, Caracas y la Isla de Margarita.

Mildred Camero, ex presidenta de la Organización Nacional Antidrogas (ONA) de Venezuela, dijo que este país “agrava su papel de principal corredor de sustancias ilícitas en Sudamérica hacia otros Estados del continente americano, Europa y África Occidental. Las incautaciones en el exterior han aumentado en menos de un año; y persiste el vacío de mecanismos de control”.

La noche del 2 de junio pasado, la Policía Antidrogas de Perú decomisó 474 kilos de cocaína que iban a ser embarcados en el puerto de Paita, departamento de Piura, con destino a Abidján, en Costa de Marfil. La cocaína fue camuflada en conos de hilos almacenados en cajas de cartón. El cargamento había sido remitido por la empresa Coagromar S.A, con sede en el Cantón Huaquillas, ciudad ecuatoriana que es, a su vez, la principal entrada terrestre con Perú. Fueron detenidas siete personas: cinco peruanos y dos ecuatorianos. No es la primera vez que se menciona el puerto de Paita como un punto de exportación utilizado por narcotraficantes.

El fiscal antidrogas de Perú, Juan Mendoza, aseguró que las mafias africanas negocian la compra de cargamentos en Uruguay, Argentina y Brasil, debido a que Perú es sólo un país productor de cocaína.

En Brasil la puerta de salida hacia África es el puerto de Santos, de donde se “exporta” 88% de la droga que logra salir de ese país, según calcularon las fuentes. El modus operandi detectado por la Policía Federal de Brasil es el llamado “rip-on rip-off”: los narcotraficantes, con la ayuda de cómplices, camuflan la cocaína en cargas lícitas dentro de contenedores. El procurador brasileño Carlos Bruno Ferreira Da Silva calculó que sólo se logra inspeccionar “entre 5 y 10% de las cargas que salen de Brasil”.

Una de las rutas más dinámicas hacia África es la llamada Carretera 10, por donde sale cocaína de Brasil a países de África occidental, antes de ser redistribuida para Europa. Otros puertos bajo la lupa son el de Montevideo, en Uruguay, y Buenos Aires y Rosario, en Argentina. Una fuente judicial uruguaya dijo al GDA que la Policía de ese país detectó este año que el grupo brasileño Primer Comando de la Capital (PCC) traficó cocaína por el puerto de Montevideo rumbo a África y de ahí a Europa.

En Uruguay se descubrieron envíos de droga por correo a África. El 10 de abril pasado, la empresa FedEx denunció dos paquetes sospechosos en Montevideo. Se encontró cocaína impregnada en ropa y dentro de un taladro. El hombre que enviaba las encomiendas era un brasileño, que tenía cinco documentos falsos de ese país. Envió encomiendas con cocaína a Hong Kong, Cabo Verde y Sudáfrica; y a Madrid, según el Ministerio del Interior de Uruguay.

En Costa Rica también se utiliza el correo para traficar drogas a África. Las remesas casi siempre son pequeñas cantidades y viajan por correo o en valijas de viajeros que son nativos de países como Nigeria, Congo, Ghana y Sudáfrica.

Ante la preocupación por estas nuevas rutas y movimientos de los carteles, la Dirección de Lucha contra el Crimen Organizado e Interpol se reunieron con sus pares de la región por el tráfico de drogas hacia África. Tratan de hacer un trabajo coordinado para conocer el modus operandi de las organizaciones y luego atrapar a los traficantes.

Según Amado de Andrés, representante regional de la UNODC, en los últimos tres años creció la producción de cocaína en América Latina. Calcula que el incremento alcanza las 200 toneladas. El funcionario reconoció que el incremento de la producción de estupefacientes se debe a un factor clave: el proceso de paz en Colombia. De Andrés explicó a GDA en El Salvador, que el aumento de la producción de cocaína está vinculado con las operaciones de la FARC: “El proceso de paz en Colombia ha tenido buenos resultados, excepto por la reducción de las plantaciones de coca en regiones colombianas”.

          Onamet pronostica aguaceros con tormentas eléctricas por onda tropical   

SANTO DOMINGO. Hoy se incrementarán significativamente los aguaceros con tormentas eléctricas debido a una onda tropical en las proximidades de la llanura costera del Caribe y la vertiente sur de la cordillera Central, informó la Oficina Nacional de Meteorología (Onamet).

Indicó que este martes la onda tropical se ubicará al oeste de Haití, dejando a su paso humedad e inestabilidad sobre el territorio nacional, y manteniendo condiciones para que, junto al calor diurno, se originen aguaceros sobre el centro del país y la parte central de la zona fronteriza.

Asimismo, la institución informó que la vaguada que se manifiesta sobre el Caribe occidental estará aportando inestabilidad para que la actividad de la onda se extienda hasta el centro del país y el nordeste.

Por otro lado, la Onamet da seguimiento a una onda tropical localizada a unos 885 km al oeste/suroeste de las Islas de Cabo Verde, que está presentando un área desorganizada de aguaceros y tronadas.

Por el momento este fenómeno no ofrece peligro para la República Dominicana. Se espera que las condiciones ambientales sean favorables para su desarrollo gradual durante los próximos días.

El organismo recomendó a la población en este verano, para mitigar los efectos de las altas temperaturas, no exponerse directamente a la radiación solar entre las 11:00 a.m. y las 4:00 pm, ingerir suficientes líquidos y vestir ropa ligera, preferiblemente de colores claros.


          FredKed SamBriu lança album "DOMINVSON"   
 "Album sta so disponivel na soundcloud pa um semana antes di entra na lojas online, como uma demonstração de apreciação pelos meus fãs da es obil em primera mao, e gratis!" - Fredked
"é um algum intenso e intimo, ki ta demonstra txeu kuzas ki mi como um artista ta vive na nha dia dia. Di assuntos musical ti txiga assuntos pessoal. N'tive participason di nha mãe na um dialogo mesmo intimo, ki ta demonstra um poku mo ki nha mundo e. E tambeh ntive participações di granti rappers como Djey S, Helio Batalha, Loreta KBA, Ross Veiga, Manzano e CESF! Tudo fazi um colaborason fenomenal ki ajuda "DOMINVSON" adiquiri se significado. Tudo faixas di album ta bai em fazes de emoções (alegria, raiva, tristeza, rebeldia, etc.), ki ta demonstra kuze ki npassa pa n' alcansa "DOMINVSON" (um faze mental de a paz, susego, e felicidade).


Bom, concluindo, nta spera ma tudo nhas tropas, fans e familia ta gosta mesmo di nha album, e ki ta ten um bom efeito na industria musical di Cabo Verde!"
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          BREAKING: 60% chance of tropical development in Atlantic   

A broad area of low pressure hovering in the Atlantic about 650 miles west-southwest of the Cabo Verde Islands off the coast of Africa is showing signs of development as it moves westward.

Though there’s just ...

          Rave global põe ponto final no festival MED 2017   
De Portugal a Cabo Verde, de França à Roménia e de novo até Portugal: as rotas do derradeiro dia do festival de Loulé que terminou como começou: com enchente e em tom de festa
          Cárteles mexicanos se expanden a África   

Con la llamada guerra contra el narcotráfico los cárteles mexicanos comenzaron a explorar nuevos mercados para el tráfico de drogas hasta expandirse en todo el mundo. Uno de sus principales puntos de venta, además de Estados Unidos, es Europa, y para llegar a ese continente los narcotraficantes mexicanos utilizan África como su centro de operación intermedio.

Aunque su máximo líder, Joaquín "El Chapo" Guzmán, está en una prisión de Estados Unidos, el "Cártel de Sinaloa" continúa como la organización que controla el mayor tráfico de drogas a África, seguido del "Cartel Jalisco Nueva Generación" y "Los Zetas".

Fuentes consultadas de la Secretaría de Marina Armada de México (Semar) y otras autoridades que conforman el gabinete de seguridad afirmaron que no hay registros de que se utilice una ruta o logística directa México-África; por el contrario, Centro y Sudamérica son los eslabones por los que los cárteles mexicanos puedan transportar cocaína, heroína y metanfetaminas, por lo que no se tienen aseguramientos en México que tuvieran como destino ese continente.

Para poder operar, los cárteles mexicanos se han relacionado con los narcotraficantes colombianos, las pandillas centroamericanas y con la mafia italiana; estos últimos son sus contactos en África para hacer llegar las drogas a Europa.

En eso coincide Samuel González Ruiz, ex director de la Unidad Especializada en Delincuencia Organizada de la Procuraduría General de la República (PGR), quien en entrevista comenta que por el año 2010 el "Cártel de Sinaloa" comenzó a tener presencia en África.

"Hace unos años se conoció de la utilización de Guinea-Bissau, se logró detectar el paso de los cárteles mexicanos. El "Cártel de Sinaloa" tenía esa ruta, eso implicó varios esquemas de cooperación entre las autoridades", menciona, tras asegurar que Guinea-Bissau estaba fuertemente carcomido por la corrupción y el crimen organizado.

Para el también exconsultor de la Oficina de Naciones Unidas contra la droga y el delito, la cocaína del "Cártel de Sinaloa" se detectó que salía de América del Sur por avión (son aproximadamente siete horas de vuelo para llegar a África); "de ahí cambiaban de aeronave para el trasiego a Europa".

En el caso de la vía marítima, González señala que ese camino para el trasiego siempre ha existido. "Usan la ruta más corta entre América central y Europa —para llegar a España e Italia— y es bordeando África, por eso expandieron su presencia".

De acuerdo con información del gobierno federal, el "Cártel de Sinaloa" tiene presencia en África, donde domina Sudán, Senegal, Gambia, Guinea-Bissau, Guinea, Sierra Leona, Liberia, Costa de Marfil, Cabo Verde, Ghana, Togo, Benín y Nigeria, lo que facilita la entrada de la droga a Europa por Portugal y España.

Martín Barrón Cruz, investigador del Instituto Nacional de Ciencias Penales (Inacipe), asegura que el "Cártel Jalisco Nueva Generación" tenía una alianza con el de "El Chapo" Guzmán para operar en África, pero con la extradición de Guzmán Loera a Estados Unidos no se tiene definido si continúan operando juntos en ese continente.

"Hay tres países fundamentalmente complicados: Italia, Holanda y España. El gran problema es que no se conoce lo que sucede en África, tiene su propia lógica y estructura. Ellos (los africanos) necesariamente manejan otros controles para el tráfico de drogas, no sabemos cómo están funcionando y eso obedece al poco interés", indica.

La conexión entre los cárteles de la droga con africanos se corroboró en marzo de 2016, cuando la Agencia Nacional Antidrogas de Nigeria anunció la detención de ocho personas, cuatro de ellos mexicanos, en operativos en los estados de Lagos y Anambra.

Los mexicanos fueron identificados como Cervantes Madrid José Bruno, Rivas Ruiz Pastiano, Castillo Barraza Cristóbal y Partida González Pedro, a quienes se les relacionó como asesores técnicos para el funcionamiento de laboratorios clandestinos.


          Guiné 61/74 - P17536: Notas de leitura (974): “a Presença Portuguesa na Guiné: História Política e Militar 1878-1926”, Caminhos Romanos, 2016 (2) (Mário Beja Santos)   


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá e Bambadinca, 1968/70), com data de 29 de Junho de 2017:

Queridos amigos,
A investigação de Armando Tavares da Silva não ilude (pelo contrário, ilumina) as vicissitudes da vida da província, a partir de 1879, as sublevações, os conflitos, os tratados, a paz instável. Fica-se com a noção de que neste período que vai até 1890 avultam atos de heroísmo e de galhardia militar, como Marques Geraldes, e regista-se uma governação exímia, a de Pedro Ignacio de Gouveia.
Somam-se as dificuldades, há muita tropa indisciplina, os degredados são problema, não há dinheiro para desenvolvimento. É um verdadeiro jogo do empata e da manha para tentar ocupar o território, na ausência de uma administração efetiva.

Um abraço do
Mário


A presença portuguesa na Guiné: história política e militar 1878-1926, 
Por Armando Tavares da Silva (2)

Beja Santos

Dentre os mais importantes trabalhos historiográficos referentes à Guiné, é da mais elementar justiça pedir a atenção de todos os interessados para uma investigação de grande fôlego: “a Presença Portuguesa na Guiné: História Política e Militar 1878-1926”, Caminhos Romanos, 2016.

Que o leitor se previna: são mais de 960 páginas, uma belíssima apresentação gráfica, poder-se-á mesmo adjetivar que é inexcedível, um bom acervo fotográfico e um conjunto de mapas que facilitam a leitura de tão avultado miolo. O investigador escolheu aquele período peculiar que vai das primícias da autonomização da Guiné face a Cabo Verde até à chegada da Ditadura Nacional, correspondente na colónia a uma fase que prometia arranque económico, num quadro de uma certa pacificação, em que a administração colonial se estava a disseminar por pontos importantes no território.

Armando Tavares da Silva é imbatível nos elementos carreados, não hesito em dizer que doravante, quem se quiser abalançar a revisitar este período histórico, tem que percorrer esta obra, sem prejuízo das outras investigações que fazem parte da bibliografia obrigatória.

Pedro Ignácio de Gouveia é o segundo governador da Guiné  [1881-1884, 1º mandato] , tem uma prosa exemplar nos seus relatórios e considero que o seu texto sobre a epopeia do Alferes Marques Geraldes que foi resgatar a Selho gente tirada de S. Belchior uma obra-prima, já o disse num dos meus livros. O autor descreve as preocupações deste governador, ele é contemporâneo de uma nova expedição contra os Beafadas de Jabadá, é favorável a tratados de paz e pressente a gravidade do que se está a passar no Forreá, um fenómeno ainda mal estudado, tem a ver com a crescente pressão dos Fulas que vieram do Futa Djalon e puseram em alvoroço o mosaico étnico, fazendo avivar guerras entre Fulas Forros e Fulas Pretos.

Dá relevo a desavenças que ocorrem em Geba e em Buba, vive-se numa turbulência constante de saqueios de povoações, roubos, atos hostis. É nesse contexto que irão ocorrer operações em Nhacra, os Balantas tinham aprisionado uma embarcação e foram assassinados alguns tripulantes. Mais negociações com rei de Safim, obteve-se uma submissão temporária. No seu segundo relatório, com data de 26 de Janeiro de 1884, o governador volta a dizer algumas verdades como punhos: insuficiência da guarnição, indisciplina militar (recomenda que se realize o recrutamento na província), propõe reformas, pede recursos para lançar empreendimentos essenciais.

Os incidentes no Casamansa vão ser uma constante a partir de 1884, a França pressiona, percebe-se claramente que quer arredar qualquer presença portuguesa na região. Problemas não faltam, o autor fala-nos de um habitualmente omitido na historiografia, o dos degradados. O governador solicitara que fosse abonada a passagem para a metrópole aos indivíduos que houvessem completado o tempo de degredo em Angola; mas este problema não se limitava às questões de patrulhamento, como escreve: “De Angola e de S. Tomé estavam sendo enviados degredados para a Guiné, onde não existia colónia penal, nem condições para evitar a fuga dos presos como já tinha acontecido”.

Pedro Ignácio de Gouveia teve uma governação sem descanso, até houve guerra entre os Beafadas e Mandingas e Fulas-Forros. Volta a fazer minucioso relatório e chega novo governador em 1885, o Capitão-Tenente Francisco de Paula Gomes Barboza [1885-1886], também não teve a vida descansada, por esse tempo uma figura que irá dar muitas dores de cabeça, Mussá Moló, ameaçou fechar o rio Geba, houve que fazer uma incursão a Sambel Nhantá, então a capital do regulado do Cuor. Marques Geraldes passa à chefia de presídio de Geba, aqui granjeará fama.

O autor desenvolve os acontecimentos do Casamansa que irão desaguar na Convenção de Maio de 1886, é capítulo de primordial importância, convém não esquecer que houve perdas graúdas como o Casamansa, mas Portugal que tinha ali uma colónia de praças e presídios ganhou território para o interior, praticamente desconhecido, sobretudo no Leste e no Sul.

No período de 1886-1887 continua-se na efervescência de todo o fenómeno da expansão do Reino de Alfa Moló que encontra apoios em Mussá Moló, entre outros, para espalhar a guerra. Marques Geraldes escreverá que “Moló lutou até ao último dia da sua vida, tendo conseguido destruir quase todo o poder dos Beafadas e Mandingas nos territórios de Geba até Gâmbia (…) As margens do rio Geba, desde a sua embocadura, eram povoadas por Beafadas e Mandingas que ainda não tinham sentido a mão do vencedor. Mussá, por meio de planos bem combinados, soube vencer aqueles restos dos grandes povos que dominaram na Guiné e que em poucos anos tinha suplantado Beafadas e Mandingas, ficando possuidor de ambas as margens do rio Geba desde a sua embocadura, e nós à sua perfeita disposição”.

Houve que fazer expedições, tiveram à frente Marques Geraldes. Em Setembro de 1886, virá novo governador, o Tenente-Coronel João Eduardo Brito [1886-1887], prosseguem as operações, os tratados de paz, sempre efémeros. Marques Geraldes preparou um ataque à capital Sancorlã, teve que suspenda a guerra, assinou-se um tratado como Mussá Moló.

Chegou o momento de tentar um esforço de síntese para apreciar o trabalho de Armando Tavares da Silva. Compila muitíssimos dados, desde as primícias da consagração da Guiné como província, mostra os meios de que o governador dispõe para proceder a operações militares, a natureza buliçosa das diferentes etnias que não se reconhecem na soberania portuguesa. Repertoria as sucessivas operações e não esconde as diferentes deceções dos governadores perante uma quase indiferença dos políticos de Lisboa, que não correspondem ao apelo de mais meios.

O período subsequente, 1887-1890, traz acontecimentos na esteira dos anteriores. Agora o governador é o Contra-Almirante [Francisco] Teixeira da Silva [1887_1888]. Problemas em Buba não faltam. Mussá Moló continua a atacar tabancas. Marques Geraldes, até então um militar de comprovado brio e heroísmo, termina a sua presença na Guiné de forma inglória. Incidentes não faltam, um pouco por toda a parte. Demarcam-se fronteiras para a província, há nova operação contra os Balantas de Nhacra. Com dor e mágoa, abandona-se Ziguinchor. Teixeira da Silva escreve relatório, é documento com laivos de amargura. O relato de conflitos e rivalidades prossegue, ocupa-se Cacine, a contragosto dos franceses. E em 1890 chega novo governador, o Major Augusto Rogério Gonçalves dos Santos [1890-1891].

(Continua)
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Nota do editor

Poste anterior de 30 de junho de 2017 > Guiné 61/74 - P17526: Notas de leitura (973): “a Presença Portuguesa na Guiné: História Política e Militar 1878-1926”, Caminhos Romanos, 2016 (1) (Mário Beja Santos)
          Onamet pronostica aguaceros con tormentas eléctricas por vaguada   

SANTO DOMINGO. Hoy se incrementarán significativamente los aguaceros con tormentas eléctricas debido a una vaguada en las proximidades de la llanura costera del Caribe y la vertiente sur de la cordillera Central, informó la Oficina Nacional de Meteorología (Onamet).

Indicó que este martes la vaguada se ubicará al oeste de Haití, dejando a su paso humedad e inestabilidad sobre el territorio nacional, y manteniendo condiciones para que, junto al calor diurno, se originen aguaceros sobre el centro del país y la parte central de la zona fronteriza.

Asimismo, la institución informó que la vaguada que se manifiesta sobre el Caribe occidental estará aportando inestabilidad para que la actividad de la onda se extienda hasta el centro del país y el nordeste.

Por otro lado, la Onamet da seguimiento a una onda tropical localizada a unos 885 km al oeste/suroeste de las Islas de Cabo Verde, que está presentando un área desorganizada de aguaceros y tronadas.

Por el momento este fenómeno no ofrece peligro para la República Dominicana. Se espera que las condiciones ambientales sean favorables para su desarrollo gradual durante los próximos días.

El organismo recomendó a la población en este verano, para mitigar los efectos de las altas temperaturas, no exponerse directamente a la radiación solar entre las 11:00 a.m. y las 4:00 pm, ingerir suficientes líquidos y vestir ropa ligera, preferiblemente de colores claros.


          O espirito de Cabo Verde (Th..   
none
          Tropical depression could be brewing in the far Atlantic, forecasters say   

An area of disorganized showers and thunderstorms located far out in the Atlantic is being watched by hurricane forecasters who see a chance for future storm development.

Late Sunday it was located about 650 miles west-southwest of the Cabo Verde Islands off the coast of Africa.

“This is an ordinary...